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Greve, outra vez

10 agosto, 2019
Tiempo de lectura: 2 minutos

Foi já a 15 de julho que o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas e o Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias, entregaram um pré-aviso de greve, a iniciar a 12 de agosto e por tempo indeterminado.

O que está por trás das pretensões dos 700 motoristas e seus representantes sindicais? Essencialmente a revisão do acordo coletivo de trabalho, onde pretendem o aumento do salário base até 2022 para 1715€ . Aumento esse gradual, partindo dos 700 euros em ja- neiro de 2020, para os 900 euros em janeiro de 2022, o que, com os prémios suplementa- res indexados ao salário base, resultaria nos 1.715 euros já referidos.

Porém existe aqui um braço de ferro entre patrões e sindicatos, com os primeiros a não querer encetar negociações com o pré-aviso de greve em vigor e os segundos, aprovei- tando o momento político, num cenário pré-eleitoral com eleições legislativas daqui a dois meses, na tentativa de recolher os maiores dividendos possíveis.

Por outro lado, o Governo avançou com a possibilidade de ser desencadeado “um meca- nismo legal de mediação”, através da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Tra- balho, apresentando uma proposta de convenção coletiva de trabalho, obrigando tanto patrões como sindicatos a negociar e promovendo assim a desconvocação da greve. Contudo, esse mecanismo foi já descartado pelos sindicatos, tendo algumas empresas de transportes avançando com providências cautelares contra a própria greve.

A greve porém é um direito legítimo, inalienável e inquestionável dos trabalhadores, assim como os sindicatos são parte integrante do modelo social e económico do próprio tecido empresarial enquanto ponto de equilíbrio da paz social e do próprio crescimento económi- co, pelo que o extremar de posições de parte a parte (governo incluído com a ameaça da requisição civil e disponibilidade do exército para o transporte), além de por em causa es- se princípio não está a levar a qualquer tipo de convergências.

Contudo a greve assenta na contundente ameaça sobre a economia nacional e sobre o bem-estar das pessoas, partindo do aproveitamento político do timing em que ocorre e para pressupostos que não estão ainda negociados ou equacionados, ou seja, o pretexto desta greve prende-se com aumentos reivindicados para serem implementados em 2021, mas que os sindicatos querem já ver negociados para 2022.

Ter a “faca e o queijo na mão”, não pode servir de “joker” em matérias tão sensíves como a economia energética, onde o país poderá acabar por ter que racionalizar os consumos aos cidadãos e empresas, com enormes perdas e transtornos na vida diárias das pes- soas. Um país bloqueado, numa época do ano tão importante para a economia, como é o Verão.

Vale tudo para se vencer uma negociação? O que interessa negociar vantagens se a opi- nião pública ameaça pesar a balança para o lado da oposição à greve? As assimetrias em Portugal são muitas e cavadas entre regiões e classes profissionais. Ao invés de se discutir o importante, discute-se antes o acessório, sendo esta uma das principais razões pelo que este país não consegue sair do próprio marasmo por si cultivado e fomentado.

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