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O que são as assimetrias? Porque deverão ser eliminadas?

16 de octubre de 2022

As assimetrias são as diferenças existentes entre pessoas e povos. E para o fomento do iberismo é essencial que falemos a uma única voz...

Tiempo de lectura: 6 minutos

Provavelmente tomaste a consciência, de que no fundo, desconhecidas está temática das assimetrias. Não te preocupes. Estamos aqui para te explicar o que são e por que é tão importante para a Sociedade Iberista promover a sua redução ou inclusive, o desaparecimento destas. 

Como introdução, podemos concordar que a União Europeia é constituída por uma série de países muito heterogéneos e diversos. É por demais evidente que vivemos numa Europa de «manto de retalhos» com as «nossas evidentes diferenças».

Diferenças que muitas vezes enriquecem, mas por vezes, conseguem afastar-nos uns dos outros e põem inclusive em risco a própria unidade europeia.

ÍNDICE

1.- Origem das assimetrias 

2.- Tipos de assimetrias

2.1 Informativas

2.2 Educativas

2.3. Sociais

2.4. Económicas

2.5. Político- Administrativas

2.6. Culturais

Origem das Assimetrias

Em 1957, seis países constituem a CECA (Comunidade Europeia do Carvão e do Aço), que dará origem à Comunidade Económica Europeia. Portugal e Espanha farão parte do terceiro alargamento dessa união económica em 1986. Em 1992 seria criada a União Europeia que hoje conhecemos.  

Em 2004, foram escolhidos 10 novos países: Visegrado, Eslovénia, Chipre, Malta e os três países bálticos: Letónia, Estónia e Lituânia

Até ao sexto alargamento da UE, o número de novo países não tinha sido superior a três. Por conseguinte, a «assimilação europeia» foi muito mais simples do que em 2004, quando passou de 15 para 25 Estados-Membros. 

Desde então, a União Europeia tem tido sérias dificuldades em reforçar a coesão territorial e em garantir uma economia forte.  E há já alguns anos que têm existido políticas muito nacionalistas entre alguns parceiros, que põem em perigo o futuro da União. Porquê? Pelo crescimento dos interesses nacionais, promovidos por populismos e nacionalismos. Uma situação política que apenas aumenta o eurocepticismo. 

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🔺 Fonte: El Orden Mundal

E claro, quando a União Europeia é um «monstro burocrático» que não avança se não houver unanimidade em todas as decisões são tomadas, ficamos perante um grave problema. Agravado ainda pela persistência de diferenças sociais, culturais, económicas, etc., a que chamamos assimetrias, e cuja eliminação, é imprescindível para garantir um processo de integração europeia eficaz. 

Ou seja, no turbilhão do próprio processo de tomada de decisões, processo este muitas vezes moroso pela falta de consenso, conduz as políticas europeias, não no caminho do desenvolvimento, mas antes, numa profunda estagnação secular. 

O iberismo é a mola do europeísmo, paralisado pela abstenção e a descrença cidadã.

Face ao perigo que esta paralisação representa, o iberismo é uma pedra angular da construção europeia. Podemos dar o exemplo aos outros parceiros e lançar uma série de programas conjuntos, que poderão ser aplicados gradualmente aos outros Estados.

Mas, com a existência das assimetrias, torna-se realmente complicado que Espanha e Portugal, apesar de serem países tão semelhantes, possam na verdade entenderem-se.

É por isso que essas diferenças, muitas delas de menor importância, dão um empurrão e contribuem para gerar abstenção da cidadania e descrença em relação a um projecto que, sem dúvida, é bom para o conjunto dos cidadãos.

Desde a Sociedade Iberista temos identificado uma série de assimetrias, cuja redução ou eliminação urge encetar. As deixamos a seguir:

As Assimetrias informativas

Os portugueses costumam receber bastante informação da Espanha. Mas os nossos vizinhos não sabem nada da nossa atualidade, porque os seus meios de comunicação social consideram que não somos um país a ter em conta.

Além disso, tanto em Espanha como em Portugal não recebemos a informação meteorológica do conjunto peninsular, como se a Raia fosse um muro alto, onde os fenómenos meteorológicos e climática, pura e simplesmente não fossem capazes de transponer.

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🔺 Uma das assimetrias mais evidentes é a hora de diferença que existe entre Portugal e Espanha.

Educativas

O investimento português na educação está dois pontos acima do espanhol. Esta grande diferença implica que em Portugal a educação pública seja de muito melhor qualidade (ao contar com mais recursos) e obtenha melhores resultados.

Um dos nossos pontos fortes é o idioma. O português é um idioma muito rico foneticamente e isso ajuda na hora de aprender idiomas. Em Espanha, a aprendizagem do inglês é mais complexa, para não dizer que, quando vêm a Portugal, muitos espanhóis não fazem o esforço de se entenderem connosco. Por isso, acreditamos que a eliminação desta assimetria passa por garantir a intercomprensão entre duas línguas e a Sociedade Iberista considera que é imprescindível introduzir o português como língua estrangeira na Espanha.

Também se deve tentar equiparar estatísticas, como a taxa de abandono escolar que em Portugal se situa em torno de 5-6%, contra 13% da Espanha. 

Outra assimetria é a organização do sistema educativo. Qualquer acção que não vise a harmonização jurídica da educação e a criação de planos estratégicos será uma perda de tempo. 

Sociais

Portugueses e espanhóis não são muito diferentes, mas tendemos a pensar o contrário. Seja qual for o país que for, no quadro da União Europeia, as preocupações são as mesmas: comer todos os dias, cobrar no fim do mês, beber uma cerveja com os amigos ou ir ao cinema com a noiva. 

Por isso deve acabar o eterno receio que temos para com os espanhóis. Salvo raras excepções, nenhum espanhol nos quer conquistar e submeter ao seu jugo. Devemos deixar de ter medo do Duque de Alba e começar a nos preocupar com as coisas realmente importantes.

Económicas

Portugal é um país que perde população e onde se produzem verdadeiros fluxos migratórios para o exterior. Estes são tão fortes. Espera-se que percamos dois milhões de habitantes em 2050. 

Uma vez mais, referimos a palavra harmonização, para que em ambos os países se discuta e se encontrem políticas económicas que permitam ser países mais sustentáveis e o mais energeticamente independentes.

Dentro destas assimetrias, poderíamos incluir ainda, as diferenças laborais que existem entre Espanha e Portugal e que vão desde as diferenças de salários até às horas semanais trabalhadas. 

Também a desarmonização do sistema fiscal, é impeditivo de uma competitividade igual para as empresas e de uma economia de escala, que permita uma maior cooperação entre empresas, pessoas e parceiros ibéricos.

As Assimetrias político-administrativas

Apesar de ambos os países ibéricos serem unitários e não federais, talvez a mais notável seja que Portugal é um Estado republicano constitucionalmente reconhecido, que não permite partidos de âmbito regional que possam pôr em risco a nossa unidade nacional.

Em contrapartida, a Espanha é um país que tem dezassete autonomias, que garantem uma ampla heterogeneidade e a sobrevivência dos povos que compõem o nosso país vizinho.

Mas talvez, onde vemos maior incidência é na falta de estruturas comuns entre os dois países. Também não se reforçam eficazmente as relações nas questões energéticas. Enquanto países como a Alemanha e a França, realizam conselhos de ministros conjuntos desde 2003, pelo menos uma vez por ano, no âmbito da cooperação franco-alemã, na Península, temos de nos conformar com cimeiras ibéricas de carácter anual e de apenas um dia de duração, muito formais e que pouco ou nada contribuem para um desenvolvimento socioeconómico comum.

As Assimetrias culturais

Desde a fundação da associação, temos visto como muitos espanhóis não sabem nada de nós.

Não se sabe que canais de televisão temos, quem é o ator de moda ou o cantor mais ouvido em Portugal. Também não conhecem o nosso Presidente da República (se é que sabem que somos uma República).

Alfonso Ussía
🔺 Exemplo de assimetria cultural, de mão do escritor Alfonso Ussía

A Sociedade Iberista tem uma tarefa muito pedagógica neste aspecto, com a missão de poder resolver esta assimetria e que ambos os povos comecem a trocar conhecimento de forma muito mais fluida e com caráter geral, tal como tem vindo a ser desenvolvido há já algumas dezenas de anos nas zonas raianas.

A ideia de uma Ibéria forte e competitiva, tem que forçosamente passar por uma maior uniformização entre os dois países. E nós, enquanto membros da sociedade civil, temos um papel fundamental e uma palavra a dizer nesta perspectiva.

A Sociedade Iberista é assim um meio incontornável no próprio processo democrático, pela sua conectividade supranacional e associativa e pelo trabalho e esforço que tem vindo a desenvolver nos últimos anos, em prol do alcance das realizações acima descritas.